Sou sincera... a série demorou muito tempo para me convencer; e quando digo muito tempo refiro-me a cerca de sete, oito episódios. Só a partir daí a coisa ficou interessante, apesar de eu saber que toda a gente está maravilhada com a série que mexe com muitos assuntos dignos de atenção máxima.
Hanna Baker suicida-se e deixa as razões que a levaram a tomar tal decisão gravadas em 13 cassetes que vão circular por um grupo restrito, pessoas cujo ela menciona nessas cassetes. Mas quando a série começa, todo esse grupo já as ouviu, menos duas pessoas e a principal é Clay, que em conjunto com Hanna Baker, conta-nos toda a sua triste história.
Estou a resumir ao máximo porque fartos de ler sinopses sobre esta série estão vocês e até eu que, depois de concluidos os 13 episódios, lá consegui perceber a euforia em volta deste fenómeno. Tem, para começar, uma edição e uma produção perfeita. Os momentos entre a ação no presente e no passado fundem-se perfeitamente e só o contrates entre as cores (presente tons escuros, passado tons claros) é que nos faz perceber a diferença. A banda sonora é outro fator super importante, escolhida a dedo e encaixada na perfeição. As performances, o guião, a fotografia... tudo está em perfeita sintonia.
Só fiquem é a saber que esta série será pesada. Não é leve, não tem piadas escondidas nas entre-linhas; é direta, é crua e infelizmente é real. Podemos - cada um de nós - às vezes não achar que aquela razão ou a outra não seriam motivos suficientes para alguém cortar os pulsos mas o que aprendi com o final da série foi... o que sabemos nós da vida dos outros? Que dissabores passam, que traumas têm, que dificuldades vivem? E como podemos controlar o que uma pessoa poderá sentir ao ouvir determinado comentário ou determinada "brincadeira"?
Todos nós [mas é que acredito que todos nós mesmo!] passámos por, pelo menos, uma coisa que a Hanna passou. Se estão a ler isto, é porque felizmente ficaram cá para contar a vossa história mas entre o presente e o futuro, vamos ficar o mais alerta possível para evitar que mais situações destas aconteçam. Porque sim, o bullying mata; mesmo quando pensamos que é algo inofensivo.