Está mais do que comprovado que os nossos amigos são a família que nós escolhemos, aqueles que queremos tão bem quanto os do nosso sangue. Desde que nascemos que criamos laços; primeiro em casa e em família, depois com os amiguinhos que nos vão acompanhando (ou não) ao longo da vida, obrigando-nos a perceber que existem diversos níveis de amizade, diversas formas de ser-se amigo e diversas formas de o demonstrar.
Eu transformei-me numa pessoa que ama verdadeiramente o seu amigo. Protege-o de qualquer situação, fá-lo estar presente na sua vida em qualquer circunstancia e está disponível 24H para qualquer emergência. E não aceito, em absoluto, que não sejam assim para mim. Às vezes penso que sou muito mais exigente nas minhas amizades do que nas minhas relações, talvez por estimá-los tanto e talvez por achar que os amigos são para a vida, mais do que qualquer outra relação amorosa. Se calhar o erro está em mim - mas não sei ser de outra forma.
Claro que já percebi que não é bem assim; há amigos que chegam e que partem. Às vezes com a mesma intensidade, outras sem nós darmos por isso. Há elos que se quebram só porque sim. Só porque a vida nos ocupa demasiado e não "temos" tempo para um café. Mas existem outros elos que se quebram naturalmente - ou porque já não nos revemos na outra pessoa ou porque havia algo mais importante que a nossa amizade.
São ciclos da vida, como tudo. Estou num ponto da minha vida que não vou - não posso, nem quero - correr atrás de ninguém para que se lembrem de mim. Porque a amizade não te exige que fales todos os dias com essa pessoa ou que estejas com ela semana sim, semana não [se não que faria eu com os meus amigos emigrantes?!] mas a amizade exige que sintas no teu coração que aquela pessoa está lá para ti, a qualquer hora, independentemente da distância ou do estado da vida. Nunca houve nem sei se algum dia haverá espaço para amigos que não sejam assim para mim.